Diagnóstico de deficiências na percepção de cores nos usuários internet

Julho 02, 2004


Introdução

Estima-se que entre oito e vinte por cento da população (as estatísticas variam) sofra de algum tipo de deficiência na percepção da cor. Para verificar as estatísticas entre os internautas, foi oferecida aos usuários do portal Sampa Online (www.sampaonline.com.br) a possibilidade de verificar possíveis deficiências na percepção de cores através de realização de um teste baseado nas placas desenvolvidas em 1917 pelo Dr. Shinobu Ishihara (1879-1963), professor emérito da Universidade de Tókio. Essas placas eram utilizadas antigamente no Estado de São Paulo para verificar as deficiências nos candidatos a motorista. Ao realizar o teste, a resposta foi registrada, junto com o endereço de IP do usuário. Este artigo analisa os resultados obtidos até o dia 2 de julho de 2004.

Metodologia

Somente um resultado por endereço de IP/sexo foi processado. Como muitas pessoas refizeram o teste depois da primeira tentativa (após a qual verificam o resultado) somente a primeira das tentativas foi considerada.

Estatísticas

De um total de 1.284 pessoas do sexo masculino, somente 834 (68%) acertaram o teste. Já entre as mulheres, 860 fizeram o teste, e 705 (82%) acertaram todas as placas (ver, abaixo, as placas utilizadas). Esta diferença era esperada, já que deficiências na percepção de cores são mais comuns entre homens que entre mulheres. Entretanto, nos surpreende o elevado número de respostas erradas pelas pessoas do sexo feminino: segundo a literatura, deveria ser bem menor. Há, obviamente, a possibilidade dos internautas terem fornecidos informações incorretas quanto ao sexo, mas achamos improvável.

Entre os homens, a placa que colecionou mais erros foi a placa 2 (260 erros) seguidas das placas 7 (182 erros), 6 (150 erros) e 5 (135 erros). Quase todos acertaram a placa 1: somente houveram 8 respostas erradas. Há uma explicação: essa placa oferece um bom contraste, misturando cores opostas do Círculo de Newton .

Entre as mulheres, a placa 7 foi a campeã de erros; as placas 1 e 4 foram as que menos erros colecionaram.

Na opção "só vejo um monte de pontos" a campeãs foram, entre os homens, as placas 4 (314 respostas) e 8 (302 respostas). Novamente a placa 1 parece ser a mais visível: somente 14 respostas citaram essa placa.

Já entre as mulheres, a placa 2 foi a campeã (72 respostas) seguida das placas 4 (63 respostas), 6 (41 respostas) e 8 (36 respostas). A placa 1 é também entre as mulheres a mais visível: somente 8 respostas citaram essa placa.

Aplicação

Os resultados são bastante preocupantes: há muitos internautas, principalmente homens, que tem algum tipo de deficiência na percepção de cores, ao menos quando visualizam uma tela de computador. Esta constatação torna essencial a escolha de uma combinação de cores que seja perceptível pela maior parte dos leitores.

Veja um exemplo de uma combinação inapropriada, extraído de um portal que possui um mecanismo de verificação anti-spam: para liberar um e-mail enviado a um usuário desse portal, o remetente tem de acessar uma tela e digitar a palavra que é mostrada através de uma imagem. A palavra exibida na imagem a seguir (figura 1) provavelmente não seja reconhecível, pelo menos totalmente, por um número considerável de internautas:

Figura 1

Considerações finais

É de fundamental importância que o projetista leve em consideração as recomendações que efetuamos no artigo A utilização de cor no mecanismo de interação com o usuário devido ao elevado número de pessoas com algum tipo de deficiência na percepção.

As placas do teste

Placa 1

Placa 2

Placa 3

Placa 4

Placa 5

Placa 6

Placa 7

Placa 8


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